Glossrio de cor CECOR
30/10/2008
O roubo da cor magenta


Este artigo começou com o título “O Desvio para o Magenta”, dentro de um contexto histórico de como a cor vermelha, tida no passado como cor primária, desviou-se para o magenta, uma das três primárias perfeitas.
Este referido desvio cristalizou a síntese subtrativa, consolidando a teoria da cor e a tecnologia de impressão. Uma tecnologia que, no sistema offset, adota uma quarta cor: o acromático preto, codificado pela letra K, pois se trata de um sistema de quadricromia, cujas cores das tintas são representadas pela sigla em inglês CMYK, de cian, magenta, yellow e black. Mas e quanto ao roubo da cor magenta? Como uma cor pode ser surrupiada? E quem teria feito tal façanha?

Foi exatamente isso que descobri ao pesquisar sobre a história da cor magenta, diretamente relacionada à cidade de Magenta, Província de Milão, região da Lombardia, Itália. Uma história que teremos de deixar para outra ocasião, já que a nossa novela policial sobre o roubo da cor magenta nem começou.
E pasmem: não foi roubo de tinta ou fórmula de fabricação: foi roubo virtual, na área da cor-luz, enquadrada na síntese aditiva. Se os leitores tiverem propensão para detetives, já devem estar imaginando algo ligado à computação, Internet, sites, etc.
E foi isso mesmo: uma corporação da Alemanha conseguiu uma patente para uso exclusivo da cor magenta nos seus negócios de Internet. Vejam um resumo transcrito abaixo do que encontrei na própria Internet, neste link: 
http://www.comumonline.com/index.php?option=com_content&task=view&id=360&Itemid=69

É que a T-Mobile diz que a cor magenta é sua propriedade: “We have registered the color of magenta as a trademark in the telecom and online services sector,” diz o porta-voz da Telekom alemã,  Peter Kespohl e que se pode ler no sítio colourlovers.com.
O que Herr Peter quer dizer é que na área das telecomunicações e serviços online, a T-Mobile é a única empresa que pode usar a cor magenta em campanhas de comunicação. Dizem eles que detêm os direitos da cor em toda a Europa e quem se atrever a usar magenta, recebe a afável visita dos senhores advogados da Deutsche Telekom.
Foi o que aconteceu com a Compello e as empresas Slam FM e 100% NL, que dizem estar sendo pressionadas para deixar de usar a cor magenta nos seus logotipos. O insólito da contenda saltou para a Internet e várias acções já foram feitas, como uma petição online para resgatar a cor magenta às garras da Deutsche Telekom e um movimento de libertação da cor: o freemagenta.nl, onde todos podem enviar a sua “contribuição piadética”.

Estarrecido com tal fato, comecei a me perguntar: como pode uma entidade que cuida de patentes, conceder o privilégio para que uma companhia seja dona de uma cor? Como podem conceder tal privilégio na Europa para um site só “ponto com”, provavelmente hospedado nos EUA? Como alguém pode ser dono de uma coisa que nem existe, já que a cor é somente uma sensação, que ocorre na mente dos observadores? Como alguém pode ser proprietário de uma das cores que já existia desde de que inventaram a TV em cores? E se essa mesma empresa ou outras fizerem o mesmo, requerendo a patente de outras cores? Como ficam os webdesigners, impedidos de usar cores “patenteadas”?
Eu, pessoalmente, prefiro usar o termo “cores roubadas”, depois de aberto esse precedente ilógico e completamente maluco. Isso é mesmo uma paranóia! E vocês, o que acham?

Nelson Bavaresco é pesquisador da cor, coordenador do Sistema de Cores Cecor e membro do Conselho Técnico Científico da Cor da Associação Pró-Cor do Brasil.
Texto publicado originalmente em:
http://www.mundocor.com.br/cores/roubo_magenta.asp


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