Glossrio de cor CECOR
17/04/2011
Ouvir cores e ver sons



Figura 1



Figura 2



Figura 3



Figura 4
A audição é o segundo canal de maior percepção dos nossos sentidos. O primeiro é a visão. O ouvido possui um mecanismo bastante complexo para detectar os sons, envolvendo ossículos, cavidades e milhares de nervos.
Na detecção das oscilações sonoras, o elemento principal é a "cóclea", pequena estrutura em espiral que atua seletivamente. Dessa maneira, uma determinada oscilação sonora excita somente uma determinada região de fibras nervosas da cóclea. Por isso se diz que, devido a essa seletividade da audição, a música é uma arte mais baseada em condições fisiológicas que em condições psicológicas.
Pela forma “fisiológica” como percebemos os sons, a percepção musical é mais uma questão de sensação orgânica que uma razão intelectual. Mas também não há dúvida que a audição musical é um importante tempero para ilações intelectuais. A ilustração da figura 1 mostra a cóclea no conjunto do órgão auditivo.
Da mesma forma que a cor, o som possui características importantes para sua percepção, como o timbre (permite distinguir vozes e sons diferentes numa mesma frequência), a altura (permite diferenciar os sons agudos, médios e graves das diferentes oitavas musicais) e a intensidade.

As ondas luminosas transportando a infotmação cromática
Há uma grande diferença entre as ondas sonoras (energia mecânica) e as ondas de luz (energia eletromagnética). Estas últimas podem se locomover tanto em certos meios mais ou menos translúcidos, como no vácuo, a uma incrível velocidade de 300.000 km por segundo.
Ondas luminosas também são representadas em ondulações, porém com diminutos comprimentos de ondas, relacionadas às diferentes cores. As ondas de luz são avaliadas geralmente pela distância entre dois picos ou entre dois vales, cujos comprimentos são medidos em nanômetros e podem ser convertidos em frequências. Só que por trilhões de vezes por segundo!
Conforme explica Simão Goldman em “Pessoas, animais & cores”, as ondas curtas e longas da energia eletromagnética que chegam à Terra de áreas desconhecidas do Cosmo podem ser divididas em 60 oitavas (fig. 2). Dessas, apenas 15 são constituídas pela energia do Sol e apenas a radiação de uma oitava se refere à luz visível, conhecida também por luz branca. Quando um objeto reflete todos os comprimentos de luz dessa oitava, o que vemos é um objeto que chamamos como “branco”, embora a sensação que temos da cor da própria luz branca possa não ser exatamente branca.
 
O fenômeno de “ouvir as cores e ver os sons”
Tratado no campo de estudos das sinestesias, esse é um fenômeno provocado por um dos nossos canais de percepção que entra em ressonância com outros canais, afetando diversos tipos de reações e sentimentos.
Todos nós sofremos esses efeitos. Entretanto, existem pessoas que, ao ouvir certos sons, podem ver certas cores diante de si, assim como outras que, ao verem certas cores, têm a sensação de ouvirem certos sons. Isso é relativamente comum nos artistas.
Os cientista que estudam esses fenômenos acreditam que os casos mais acentuados se tratam de distúrbios, classificados como “fios desencapados”, provocando no cérebro a mistura das sensações (fig. 3). Já os artistas, como músicos e pintores, preferem atribuir esses fenômenos de “ouvir as cores e ver os sons” como dádiva da natureza sensível ao homem, para alguns relacionados a questões filosóficas e esotéricas que inspiram e impulsionam a criação artística.
O Maestro Jorge Antunes, um importante músico brasileiro que dedicou bastante do seu tempo pesquisando a correspondência entre os dois fenômenos, explica em sua obra “Entre os sons e as cores”, pp. 32/4, que:

“...o nervo auditivo [...] localizado no ouvido interno, transmite ao bulbo do cérebro o fenômeno nervoso originado da vibração do Tímpano. O nervo ótico, por sua vez, transmite ao cérebro o fenômeno nervoso que se origina na retina, ao se excitar sob a ação da luz exterior. [...]Assim sendo, a passagem de um influxo nervoso pelo nervo auditivo, como uma corrente elétrica, naturalmente dará lugar a um campo magnético a seu redor.
Este campo magnético pode induzir um influxo nervoso no nervo ótico. [...] A proximidade dos dois circuitos pode fazer com que, ao se excitar o nervo auditivo [...] o nervo ótico entre em ressonância e seja excitado por uma oscilação elétrica de 767.9 x 1011 c/seg, frequência esta harmônica à frequência de 349.23 c/seg e que corresponde à cor Violeta”.

Ainda segundo Antunes, existem frequências sonoras que produzem ressonâncias para todas as cores, conforme tabela música/cor da p. 39 para os sons do trompete. (fig. 4)

Depois dessa explicação, nos permitimos parodiar uma frase poética: “ora direis ouvir as cores e ver os sons”.

Nelson Bavaresco - designer gráfico e pesquisador. Ministra treinamentos sobre Teoria e História das Cores – Linguagem e Significado da Cores - Harmonia e Mistura de Cores. É autor do Sistema de Cores Cecor.
Texto publicado originalmente em:
http://www.mundocor.com.br/cores/cores_sons.asp


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